Escala de Condição
O que cada palavra do Acervo quer dizer.
Procedência, estado, pátina. Três palavras que o mercado de luxo usa sem definir e que aqui têm significado fixo — o mesmo em todas as peças, escrito antes de você perguntar.
Procedência não é o mesmo que estado.
Procedência responde de onde a peça veio e o que se sabe sobre a vida dela. Estado responde como ela está hoje. Uma peça de 1988 pode estar em melhor estado que uma de 2024 — e é por isso que as duas informações aparecem separadas em toda ficha do Acervo.
Nova · Importada
Peça nunca usada, adquirida em boutique oficial ou multimarcas na Europa e trazida diretamente. Etiquetas e embalagem originais preservadas. A vida da peça começa com você.
O que isto não significa: não significa que seja melhor que uma peça de arquivo — significa apenas que a história dela ainda não começou.
Second Hand
Peça de coleção recente que já teve uma dona. Autenticada, examinada componente a componente e fotografada com os sinais de uso que existirem — todos eles. Acompanha certificado de autenticidade Domus Giulietta.
O que isto não significa: não significa peça gasta. Metade das peças Second Hand do Acervo está em estado “Como nova”.
Second Hand · Vintage
Peça de arquivo, de coleção descontinuada ou de ano identificado. Nova, ela não existe mais — esta é a única forma em que a peça existe hoje. Além do exame completo, toda peça vintage traz macro de pátina obrigatória e o ano, quando documentável.
O que isto não significa: não significa peça velha. Significa peça que o mercado não produz mais e que, por isso, não tem substituta.
Os três níveis dizem o que se sabe sobre a peça, não quanto ela vale. O que define o preço é raridade e proveniência — não a data em que ela saiu da loja.
Cinco estados, e o que cada um quer dizer olhando a peça.
A escala abaixo é a mesma para todas as peças, e o nível declarado na ficha vale para a peça inteira — não para o melhor ângulo dela. Onde houver divergência entre um componente e o conjunto, o laudo diz qual.
- 1 Nova, com etiqueta
- 2 Como nova
- 3 Excelente
- 4 Ótimo
- 5 Bom · pátina documentada
-
Nova, com etiqueta
Nunca usada. Etiquetas de fábrica presas, sem qualquer marca de manuseio no couro, na base ou nas ferragens.
-
Como nova
Sem nenhum sinal visível de uso a olho nu. Cantos e base sem marca, ferragem sem risco.
-
Excelente
Sinais mínimos, imperceptíveis a um metro de distância. Micro-riscos na ferragem ou leve amaciamento do couro, visíveis apenas em macro.
-
Ótimo
Sinais leves e localizados de uso, sem nenhum comprometimento estrutural. Alça, costura, forro e fecho íntegros e funcionais.
Na ficha da peça, este nível aparece como “Ótimo estado”.
-
Bom · pátina documentada
Pátina e desgaste esperados pela idade, documentados em foto, um a um. Nada escondido: se o canto escureceu, a foto mostra o canto.
Na ficha da peça, este nível aparece como “Bom estado, com sinais de uso característicos de peça vintage”.
Pátina não é desgaste. É o único detalhe que uma réplica nunca consegue imitar.
Couro é matéria viva. Com o tempo, ele escurece nos pontos de toque, amacia onde dobra e desenvolve um brilho que não sai de fábrica — cada peça de um jeito, conforme quem a usou. Isso é pátina: o registro físico de uma história. Uma falsificação sai nova da caixa e envelhece errado, porque o material não é o mesmo. Por isso a pátina não é ressalva na ficha: é parte do que se examina.
O couro italiano é vivo. Com o tempo, ele desenvolve pátinas únicas, marcas de uso e memórias que contam sua história.
O que fotografamos em macro não é o defeito da peça. É a prova de que ela é a peça.
Beleza que só o tempo é capaz de criar.
Pátina é uma coisa. Dano é outra.
Pátina é própria do material, acompanha o uso e não compromete função. Dano é acidente e compromete: rasgo, descolamento, ferragem quebrada, forro rompido, estrutura deformada. Peça com dano não entra no Acervo — e quando um sinal está na fronteira entre os dois, o laudo diz que está, com foto.
O desgaste aparece na foto, não só no texto.
Toda peça do Acervo é fotografada pelo mesmo roteiro, na mesma proporção, sem retoque que apague marca de uso. Se uma marca existe na peça, ela existe na galeria.
Os oito ângulos obrigatórios
- frente
- escala
- verso
- lateral
- interior
- macro de ferragem
- macro de couro
- base
- Nova · Importada
- 8 fotos. Nenhum acréscimo obrigatório.
- Second Hand
- 9 fotos. Uma foto de condição a mais, do ponto de maior uso.
- Second Hand · Vintage
- 11 fotos. Duas fotos de condição a mais e macro de pátina.
- A foto é sempre da peça que você recebe. Nunca de outra unidade do mesmo modelo.
- A segunda foto de toda peça é a de escala, com referência de tamanho — é a informação que mais se procura depois de decidir que gostou.
- Nenhuma marca de uso é removida em edição. Ajustamos luz e cor para que a foto corresponda à peça; nada além disso.
Nove componentes, um veredito cada.
O laudo não diz “autêntica” e para por aí. Ele percorre a peça componente a componente, e cada linha tem veredito próprio — porque é assim que um exame funciona, e porque é isso que permite a você discordar de um ponto sem precisar descartar o todo.
- Ferragem e gravações
- Gravação, peso, acabamento, encaixe e tipo de tratamento.
- Costura
- Ponto, densidade, ângulo, simetria e remate.
- Couro e material
- Grão, corte, flor, espessura e comportamento na dobra.
- Forro
- Material, marcação, costura de união e etiqueta.
- Zíper
- Marca do cursor, gravação, curso e travamento.
- Alça e emendas
- Fixação, folga, mecanismo e desgaste funcional.
- Base e cantos
- Integridade, deformação e desgaste de apoio.
- Etiqueta e date code
- Datecode, serial, chip quando houver e etiqueta interna.
- Odor
- Ausência de odor incompatível, limpeza e resíduo.
Os quatro vereditos possíveis
- Conforme
- Conforme, com desgaste de uso
- Substituído
- Não aplicável
Um laudo com nove “conforme” e nenhuma observação é raro, e quando acontece a ficha diz isso também.
O que não entra no Acervo.
Peça sem autenticidade comprovável. Peça com dano estrutural: rasgo, descolamento, ferragem quebrada, alça rompida, estrutura deformada. Peça restaurada sem que a restauração possa ser declarada. E peça cuja origem não conseguimos documentar — mesmo autêntica, mesmo em bom estado.
A recusa é a parte do trabalho que não aparece na vitrine.